Taxa de Juro

(english translation to this post is below)

Agradeço ao Professor José Paulo Oliveira o convite para escrever um artigo para o seu blog, ao qual desejo muito sucesso e muitos seguidores. No artigo seguinte sucintamente irei explicar a formação do conceito de taxa de juro, e a sua utilização actual.

No presente momento é fundamental compreendermos um dos factores económicos mais importantes da nossa ciência, a taxa de juro.

Böhm-Bawerk deu três razões para explicar porque as taxas de juro são positivas.

Primeiro a utilidade marginal dos rendimentos das pessoas ( salários por exemplo) irá diminuir ao longo do tempo porque naturalmente esperam rendimentos superiores no futuro.

Segundo, por razões psicológicas a utilidade marginal de um bem declina com o tempo.

Por estas duas razões, que nós economistas chamamos “ preferência temporal positiva” ( positive time-preference” as pessoas estão dispostas a pagar uma taxa de juro positiva para ter acesso a recursos no presente. E insistem em ser pagas com juro por ceder do acesso a esses recursos. Estas duas premissas são aceites como razões válidas para a preferência temporal positiva.

Mas a terceira razão de Böhm-Bawerk – a “superioridade técnica de bens presentes sobre bens futuros”- foi mais controversa e mais difícil de entender. A produção é um processo cíclico, o que significa que leva tempo. Usa capital, para transformar factores não produzidos – como a terra e o trabalho- em output. Os métodos de produção cíclica significam que a mesma quantidade de input podem render um output superior. Böhm-Bawerk pensava que o retorno liquido do capital é o resultado do maior valor criado pelo processo cíclico.

Um exemplo expõe melhor o caso. Um líder de uma aldeia pescatória primitiva, pode mandar os seus cidadãos ( sem equipamento ) saírem para o mar apanhar peixe suficiente para a sobrevivência da aldeia por um dia. Mas se deixarem o consumo de peixe por um dia e usarem esse factor trabalho para produzir redes de pesa, linhas e ganchos ( capital) cada pescador pode apanhar mais peixe no dia seguinte e nos dias a partir desse.

Irving Fisher um dos maiores economistas matemáticos da história, dedicou o seu livro “The Theory of Interest” a Bohm-Bawerk. Mas apesar da sua admiração pelo trabalho de Bawerk, Fisher não aceita a terceira razão utilizada por Bawerk que o processo cíclico necessariamente aumenta a produção. Argumentando que com uma taxa de juro positiva, ninguém escolherá um período mais longo a não ser se esse período for mais produtivo. Então por este processo, concluímos que períodos mais longos são mais produtivos. Mas o comprimento desse período não contribui por si só para a produtividade

A versão de Fisher reflecte a maneira que os economistas pensam ainda hoje.

A importância de Fisher e Bawerk deve-se ao facto de justificarem a taxa de juro como um processo de Mercado, através das expectativas e do processo produtivo.

Assim a intervenção dos governos e Bancos Centrais, nos níveis da taxa de juro são prejudiciais para o processo produtivo e para o processo Económico

A taxa de juro pela sua origem e definição deve somente ser consequência das percepções que os agentes têm do mercado, das suas preferências, das suas escolhas, e das oportunidades de investimento que surjam.

Infelizmente o trabalho de Fisher foi ignorado por causa da proeminência do trabalho de Keynes. E o controlo das taxas de juro tornou-se obrigatório para qualquer soberania.

Os problemas que derivam deste controlo são fundamentais para percebermos as falhas dos sistemas económicos modernos. Muitos acreditam que pelo controlo das taxas de juro (e da circulação da moeda) falhas de mercado são impossíveis, porque o mercado supostamente tem de reagir mecanicamente as variações da taxa de juro. Mas apesar do que é escrito nos textbooks que usamos no estudo da economia, esta não pode ser controlada. Não é possível através de qualquer instrumento controlar a economia, a economia é um organismo vivo consequentemente não podem ser previstas as suas acções. A taxa de juro é um dos instrumentos mais importantes da actividade económica, porque traduz transparência das preferências dos investidores, porque permite alocar eficazmente os recursos ( é necessário lembrar que um dos objectivos da ciência económica é de estudar os mercados para melhor alocar os recursos), permite que os bons activos sejam recompensados, que os bons projectos sejam recompensados. Que apenas os melhores tenham acesso a factores produtivos (capital) facilmente, e que os que não o consigam que melhorem ( destruição criativa) de modo a que consigam.

A intromissão dos Governos e dos Bancos Centrais nas taxas de juro criam deturpações gravíssimas nos mercados. E tudo isto parte da falácia que a riqueza, o desenvolvimento e o emprego podem ser positivos pelo controle do dinheiro e das respectivas taxas de juro. Esta falácia é muito perigosa e popularizada no meio académico porque é algo fácil de adoptar e de explicar aos leigos, mas não é cientificamente e economicamente verdade. Apenas a produção cria riqueza (não a produção de papel-moeda, pelo menos não do modo que os keynesianos acreditam que cria).

É a produtividade que desenvolve as nações, e a taxa de juro é a recompensa da produtividade, ou apenas de uma boa oportunidade de negócio. Mas não quando esta é controlada por um corpo central. Só quando a taxa de juro é completamente entregue ao mercado, este pode comportar-se racionalmente. As bolhas económicas como a que presenciamos na última década dão toda a evidência empírica que este artigo necessita. Taxas de juro artificialmente controladas, criam bolhas artificiais, com efeitos sistémicos, porque a taxa de juro é igual para todos no território.

A taxa de juro tem de ser livre para seguir padrões racionais, porque é impossível que todos os investidores tenham a mesma preferência temporal e a mesma disponibilidade ao mesmo tempo. As bolhas económicas principalmente as dos E.U.A têm sido geradas por taxas de juro baixas, porque todos os investidores podem ter acesso a capital pelo mesmo preço.

Para um não estudioso é impensável o tempo em que ainda se discutia o nível natural das taxas de juro de um país, ou de um sector produtivo em particular.

Existe uma necessidade extrema de se voltar a perceber os processos básicos da Economia, de se estudar a Economia não como algo completamente controlável, tomando os cidadãos como peões, mas pensar na economia como um instrumento libertador. A nossa ciência tem um poder sobre a vida das pessoas superior a qualquer outra, temos de nos responsabilizar pelas consequências dos erros e das falácias de alguns economistas mas mostrar os caminhas certos, e revelar a verdade económica. Porque é a função e a obrigação do economista defender a verdade económica, imparcialmente e sem ceder ao populismo. Porque em termos de ciência a nossa a cada dia que passa perde credibilidade.

http://macroeconomicus.blogspot.com/2010/03/taxa-de-juro.html

 

(English translation)

At the present time is fundamental to understand one of the most important economic factor  in our science, the interest rate.

Böhm-Bawerk gave three reasons to explain why interest rates are positive.

First, the marginal utility of income of individuals (e.g wages) will decrease over time because naturally expect higher incomes in the future.

Second, for psychological reasons marginal utility of goods declines over time.

For these two reasons, we economists call “positive time preference” (positive time-preference “people are willing to pay a positive interest rate to access resources in the present. And insist on being paid with interest by giving accessthese features. These two assumptions are accepted as valid reasons for the positive time preference.

But the third reason Böhm-Bawerk – the “technical superiority of present goods over future goods” – was more controversial and harder to understand. Productiont is a cyclic process, which means that it takes time. Uses capital, to transform non-produced factors – such as land and labor into output. The methods of cyclic production mean that the same amount of input can yield a higher output (briefly increasing returns). Böhm-Bawerk thought the return of capital is the net result of the increased value created by the cyclical process.

An example exhibits more clearly the case. A leader of a fishing village primitive, can send their citizens (without equipment) out to sea to catch enough fish to guarantee the survival of the village for a day. But if they leave the consumption of fish for a day and use this labor to produce heavy chains, hooks and lines (capital) each fisherman can catch more fish the next day and from that day on.

Irving Fisher one of the greatest mathematical economists in history, dedicated his book “The Theory of Interest” to Bohm-Bawerk. But despite his admiration for the work of Bawerk, Fisher does not accept Bawerk third reason that the cyclic process necessarily increase production. Arguing that with a positive interest rate, no one will choose a longer period except if that period is more productive. So by this process, we conclude that longer periods are more productive. But the length of this period does not in itself contribute to productivity

Fisher’s version reflects the way economists think today.

The importance of Fisher and Bawerk is due to the fact that they justify the interest rate as a market process, through  expectations and the production process.

Thus the intervention of governments and central banks in interest rate levels are detrimental to the market generating process of interest rates and thus to the production and the Economic Process

The interest rate by its origin and definition should only be a result of perceptions that agents have about the market, their preferences, their choices, and investment opportunities that arise.

Unfortunately Fisher’s work was ignored because of the prominence of the work of Keynes. And the control of interest rates has become mandatory for any sovereignty.

The problems arising from this control are essential to realize the shortcomings of modern economic systems. Many believe that the control of interest rates (and the circulation of currency)  makes market failures impossible (which was highly undermined by the last crisis),  the reason to this believe is that the market is suppose to react mechanically to changes on the interest rate. But despite what is written in the textbooks we use in the study of economics, this can not be controlled. It is not possible through any instrument to control the economy, the economy is a living organism therefore we cannot predicted in a satisfactory way (the lucas critique). The interest rate is one of the most important instruments of economic activity, because it translates transparency of investor preferences, because it allows you to allocate resources efficiently. We should remember that one of the objectives of economic science is to study the markets to better allocate resources but once again economists prefer to dismiss the problem and suppose a lot of things, the control of the interest rate only adds a higher sense of illusion.
The interest rate allows that the good assets are rewarded, that good projects are rewarded.
The interest rate regulates market entrance in a way that only the fittest have access to production factors (capital) easily, and those who are not good have to improve (innovation) to have access to this factors.

The meddling of governments and central banks on interest rates creates distortions in markets that are very serious.And all this part of the fallacy that the wealth, development and employment can be created by the control of money and their interest rates. This fallacy is very dangerous and popularized in academia because it’s easy to adopt and to explain to laymen, but it is not true scientifically and economically. Only production creates wealth not the production of paper money.

Productivity develops nations, and the interest rate is the reward of productivity, or of just a good business opportunity.But not when this is controlled by a central body. Only when the interest rate is completely delivered by the market to the market we will have rationally behaved markets. The economic bubble, such as the one witnessed in the last decade give any empirical evidence that this article needs. Interest rates are artificially controlled, they create artificial bubbles with systemic effects, because we are in interconnected world.

The interest rate must be free to follow rational patterns, it is impossible that all investors have the same time preference and the same availability at the same time. The economic bubble in the U.S. have mainly been generated by low interest rates, because all investors have access to capital for the same price.

For a scholar is not unthinkable that the time is still discussing the natural level of interest rates in a country, or a manufacturing sector in particular.

There is a dire need to re-understand the basic processes of Economics to study economics as something not completely controllable, taking citizens as pawns, but think of the economy as a liberating tool as Complex Adaptive Systems (in Kirman’s words). Our science has a power over people’s lives that no other have (apart from nuclear physics), we must take responsibility for the consequences of errors and fallacies of some economists, but some show the right way to go, and reveal the economic truth. It is the role and the obligation of the economist to defend the economic truth, impartially and without giving in to populism.

http://ideas.repec.org/p/cwl/cwldpp/1817.html
http://ideas.repec.org/a/bla/ajecsc/v64y2005i1p3-18.html

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